Por Outro Lado. Conjunção Adversativa. Definidora.

Publicado por Homero Carmona em

Por Outro Lado. Designa oposto; Contraposição; Ponderação; Indica condição contrária;

Condição para existência: Encéfalo; Empatia; Escuta ativa; Questionamento; Convivência com o diverso; Aceitação do Distinto; Vontade de aprender; Crença que sempre o outro é superior a mim em algo; Estudar; Curiosidade genuína.

Sinônimos: No Entanto, Porém, Contudo, Sob outra Perspectiva, Em contrapartida.

Sejam bem vindos: Prazer, Por Outro Lado!

Ambíguo?

Capa Site Por Outro Lado

O mundo é ambíguo… Aliá, digo mais, o mundo é plural!

Sendo assim, não importa quantas facetas de um fato eu ou você conheçamos, sempre será possível ver o mundo Por Outro Lado!

Este é o motivo da existência deste espaço.

Discutir, debater, revisar, repensar e, quiçá, mudar de opinião, quantas vezes fizer sentido.

O POR OUTRO LADO é um convite para uma conversa franca e sem mimimi sobre a nossa vida e nossas relações com o mundo.

Topa?

Da origem, até o outro lado….

Ao longo de toda minha vida, desde os jovens anos da pré-adolescência, me via discordando, duvidando.

Ao mesmo tempo, sendo sumariamente julgado pela minha visão, interpretação e atitude frente ao mundo.

Estranho? Do contra? Bizarro? Rebelde sem causa?

Todos adjetivos que já recebi para me qualificar de maneira pejorativa, de repente, se tornaram o meu bem mais valioso.

O que mudou?

Nada, eu não mudei uma vírgula meu caráter e personalidade após tantas e repetidas investidas violentas, dogmáticas e conformadoras. Mudou apenas o ponto de vista…

Tudo foi uma questão ver, pela primeira vez, as coisas por outro lado…

Não há nada de errado em ser diferente, agir diferente, até porque a definição de certo e errado não existe, é uma convenção (ou não?).

Sob a perspectiva de uma existência de certo ou errado ou de “normalidade”, ser diferente, bizarro ou estranho pode e será vantajoso se você aceitar isso.

E foi isso que resolvi aceitar e transformar em meu propósito. Buscar novos prismas para assuntos eventualmente “consagrados” ou que estamos massacrados com a mesma forma repetida de comunicação:

  • Por que na educação de negócios só se fala dos sucessos? Por que só se fala do que funciona? Ao mesmo tempo que se fala cada vez mais do valor do erro, segue-se divulgando apenas os caminhos de felizes…
  • Por que continuamos afastando a religião da ciência? Por que Deus, eu e você somos diferentes?
  • Por que não conseguimos nos afastar dos nossos umbigos e nos aproximar dos outros? O que dificulta tanto nossos processos de empatia com outro, com o passado, com o futuro, com o distante?

Eu não tenho nenhuma destas respostas, nem pretendo ter. O que pretendo é continuar perguntando para melhorar e aprofundar cada vez mais as minhas crenças e opiniões, criando relações que levem um mundo melhor.

Quer vir comigo?

Cada viagem que faço, me transporta para lugares de empatia e entendimento do outro que nenhuma outra experiência poderia me dar.

Cada cafézinho que tomo com alguém, me ensina algo que jamais eu aprenderia em outra oportunidade ou com outra pessoa.

Cada livro que leio, cada música que ouço, me oferece novas sinapses, para duvidar de mim e dos outros. Para ser ainda mais estranho, bizarro ou do contra.

Meu convite é para largar introspecção e viajar na “outrospecção”, ou seja, para olhar para fora de nós mesmos, e repensar absolutamente TUDO!

Os meus primeiros sinais

Por volta dos 14 anos algumas coisas “estranhas” começaram a acontecer comigo. Um desencaixe…

A primeira virada de mesa

A primeira delas foi que eu decidi sair do casulo que me oprimia: a escola que eu estudava desde os 6 anos de idade.

Eu percebi, que apesar de ter alguns amigos, aquele ambiente tinha chegado um ponto de que a minha “estranheza” e problemas físicos (espinhas) me definiram a tal ponto que eu não cabia mais em mim.

Eu não tive depressão, raiva ou qualquer outro sentimento. Apenas entendi, de forma estranhamente madura para meus 14 anos, que era hora de mudar…

Do primeiro dia de aula em diante na outra escola, nunca mais fui o mesmo. O garoto-ostra foi sendo assassinado, dia após dia… Apresentando trabalhos, fazendo shows de música, sendo representante de turma, criando novas relações, sendo porta-voz, entre outras coisas…

A minha versão alfa*, tinha sido definitivamente exterminada. Eu estava em beta*…

* Em tecnologia, alfa é a versão que não foi á publico. Beta é a primeira versão disponibilizada ao público.

A não aceitação do status quo

Aos poucos, hoje eu percebo que a cada momento eu ia lançando versões melhores e mais concretas de mim.

Lembro de uma discussão com uma amiga minha, após a morte de um político (que não importa qual era).

O fato é que eu era o único por não estar “feliz” pela morte do político. Muito pelo contrário, acreditava que tínhamos perdido alguém importante.

A discussão virou até música da minha banda punk… Uma banda punk com uma música falando bem de um político? Pois é…

A definição de político = safado é uma definição bizonha e minha discussão, eu entendo hoje, não era pela moral do político morto em si, mas pela inferência baseada na generalização ignorante.

Ficou curioso para saber quem era o político? Me chame para um cafezinho!

Um pouco mais de rebeldia

Por mais um privilégio que tive acesso, aos 15 anos eu já tinha me formado no idioma inglês. Sempre gostei muito do idioma, que também ajudou a aumentar a minha paixão por música, ao poder interpretar tudo que eu ouvia.

Ou seja, aos 15 anos já falava bem inglês, por oportunidade e por interesse genuíno no tema.

Por azar da minha professora, que falava mal o idioma e cometia erros graves, encontrou um Homero rebelde na sala…

Professor e aluno - Foto Taylor Wilcox, Unsplash
Professor e aluno – Foto Taylor Wilcox, Unsplash

No primeiro ano do ensino médio, tudo bem…. Maaaaaaasss, no segundo ano, chego para a aula de inglês e sou surpreendido com o fato:

– Temos uma nova metodologia, um novo livro e agora nossas serão muuuuito melhores!

– E a professora?

– A mesma. E o material didático três vezes mais caro.

Oi?

Para resumir a história, eu falei para minha mãe que eu não ia usar o livro e que, portanto, não precisava comprá-lo.

Ela comprou, mas eu passei 2 anos indo às aulas de inglês sem o livro, tirando zero nas notas de participação, sendo expulso periodicamente da sala, tirando 10 em trabalhos e provas. Nota 7 todos bimestres.

Não vou lembrar dos detalhes, mas é certo que não fiz as coisas da forma correta. Por outro lado, é certo que eu agiria de maneira similar hoje.

O problema normalmente não é o “o que” e sim o “como”, foi isso que me irritou, é isso que me indigna até hoje quando penso no acontecido.

Do dogma, à indagação, à (in)definição

Tentando fazer o bem, pais, professores e outros “sábios” mais velhos tentam enfiar à marteladas conceitos e crenças nas nossas cabeças. Algumas são importantes no conteúdo, apesar da forma…

Ao mesmo tempo que cresci com pai judeu-ateu não dogmático, aprendi a filosofia cristã-espírita com a minha mãe. A questionar ambas visões de mundo, aprendi sozinho.

Enquanto isso, ouvia músicas que me faziam pensar, ia e voltava do meu curso técnico observando carros, igrejas e o comportamento das pessoas e tentando encaixar tudo aqui na minha cabeça.

Minha (in)definição religiosa veio à claridade só nas aulas de sociologia da faculdade, mas é desafiada constantemente, alterada diariamente.

Quando de fato aceitei ver tudo Por Outro Lado!

Houveram vários momentos de epifania na minha vida, mas o mais importante deles foi a volta do meu intercâmbio na Irlanda.

Quando fui para meu intercâmbio, tinha uma ideia definida: queria descobrir o mundo, melhorar e amadurecer como pessoa.

Aprendi muitas coisas, desde tirar o lixo, limpar a casa, conviver com “desconhecidos”, cozinhar, fazer compras, lidar com problemas sozinho entre outras coisas…

Mas o maior aprendizado veio quando cheguei no Brasil.

No carro, fazendo aquele caminho interminável do Aeroporto de Guarulhos até Interlagos fui olhando pela janela e notando que nada havia mudado.

Olhando na janela do Carro - Foto Andrea Piacquadio, Pexels
Olhando na janela do Carro – Foto Andrea Piacquadio, Pexels

NADA!

Quase chegando de volta em casa, 11 meses depois da partida, o momento de epifania que me define hoje e coloca o Por Outro Lado no ar:

O entendimento de que não existe certo ou errado. A valorização de cada pensamento individual. A escolha racional pelo não-julgamento, mesmo quando meu inconsciente me trair.

Este entendimento empático veio de uma análise de como eu me senti na Europa.

Diferente do que passei no ensino fundamental, não me senti em nenhum momento julgado na Europa. Ao mesmo tempo, preferi, sempre, seguir meu caminho do que julgar os outros…. e fiz isso sem perceber, por empatia, por reciprocidade gratuita.

Mais tarde, lendo Dale Carnegie (livro: Como fazer amigos e influenciar pessoas), conheci uma frase de Abraham Licoln durante da guerra da Secessão no EUA.

“Não os critiquem; são eles exatamente o que nós seríamos sob idênticas condições.”

Com esta frase termino a história com a conjunção adversativa, definidora de Homero Carmona: Por Outro Lado.

Que tal um cafezinho?


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